Sorry english-speaking friends, this post will not have (for now) an English version due to the length of the story, and the lack of time to do so at this time (it took me days to complete this story). Enjoy the pictures though. Cheers!!!
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Sempre tive medo de medico. Sim, sou terapeuta ocupacional, professional de saude, trabalho num hospital, vejo cirurgia de maneira rotineira, mas tenho medo de medico, de injecao, nao gosto de hospital e nao gosto de remedio. Ha uns anos, qdo paguei a disciplina de ginecologia e obstetricia na faculdade, me apaixonei pela capacidade que o corpo da mulher tem de gerar uma vida em 9 meses, e apos esse periodo, parir sem ajuda de nada, nem ninguem. Achei tudo aquilo o maximo, e me encantava com a beleza magica do corpo da mulher. Ao mesmo tempo, achava interessante como o parto cesariano era visto como uma coisa normal, de rotina, como se aquilo fosse natural. E tudo aquilo me fez comecar a perceber como tinhamos perdido a conexao com nos mesmos… que para parir, a gente tinha criado a ideia de que precisavamos ir para um ambiente 100% esteril, colocar um monte de roupa azul ou verde no corpo, se encher de fio ao redor da gente mesmo, e ficar ali deitadinho, esperando a faca abrir o bucho, e arrancar um vida de dentro da gente, mesmo que essa vida ainda quisesse aproveitar o quentinho do ventre da mae por mais um tempo. Enfim, o parto estava sendo tratado como uma doenca. Nao, nao sou contra a medicina moderna, e nao tenho vontade de voltar a idade da pedra, mas tinha vontade de sentir meu corpo gerar uma vida, tinha vontade de ver meu corpo dar a luz, tinha vontade de ver leite (ouro branco) escorrer dos meus seios. Tinha vontade de voltar a ser bicho por uns instantes… tinha vontade de ter uma experiencia NORMAL… tinha vontade que a obra mais sublime do amor entre duas pessoas viesse de uma maneira igualmente sublime, espontanea, natural.
Entao, entrei nessa aventura chamada “maternidade” de bem com a medicina moderna, com a certeza de que ela estaria ali caso eu precisasse, mas com vontade de trazer essa vida para o mundo com minhas proprias forcas, como fizemos durante anos e anos. Queria esperar pela hora que meu filho quisesse chegar. Resolvi aos poucos me desgarrar de alguns conceitos (nao 100%, uma vez que tinha decidido pelo parto natural, humazido, com parteiras, mas no hospital; entao alguns dos conceitos ainda continuavam lah dentro, nao eh?). Para mim, essa possibilidade era divina, magica, unica…
E assim tudo comecou…
Ha um ditado aqui no Canada que diz: o ultimo mes de gravidez sao tres longos meses, e de fato, sao. As ultimas semanas de gestacao foram bem desconfortaveis. Eu inchei bastante, estava muito cansada, e jah nao tinha posicao para dormir. Quem me conhece sabe como sou apaixonada pelo meu trabalho, e queria terminar de repassar meus pacientes para as meninas que iriam me substituir, queria deixar tudo organizado, mas ao mesmo tempo meu corpo queria parar, queria descancar. Finalmente terminei meu ultimo dia de trabalho no dia 15 de junho, uma sexta-feira bem prolongada, foram 10 longas horas de trabalho. Sabado descancei, arrumei o nosso ninho. Domingo, voltei ao trabalho para terminar umas pendencias, e qdo kamary voltou para casa do trabalho, fomos a “praia”. Entrei no lago gelado… adoro agua (uma das grandes razoes que sempre me fez pensar em parir em casa).
Segunda-feira tive uma consulta com a nossa adorada parteira. Estava com 39 ½ semanas. Sei que um gestacao normal pode tranquilamente chegar ateh 42 semanas, mas meu corpo realmente queria parir, e eu estava louca para ver o rostinho do meu pequeno principe e o cansaco e descomforto do corpo gravido era grande. Ela entao fez o toque e viu que eu estava com 1 cm de dilatacao, e o cervix 30% apagado. Perguntou se eu gostaria de tentar alongar o cervix, mas que isso provavelmente nao ajudaria muito, e que talvez tivesse que fazer algumas vezes. E assim o fizemos. Foi um pouco incomodo, tive as famosas contracoes Braxton Hicks na hora, mas sai de lah com pouca esperanca. Marquei outra consulta para a quinta-feira, dia da data prevista de parto, para fazer outro alongamento. No mesmo dia a noite, comecei a sentir como se Gabriel estivesse virando. Sentia uma “bola” no lado direito, bem no figado, que me fazia ficar sem ar por alguns instantes.
Na terca-feira, essa sensacao de esmagamento do figado ficou mais forte, principalmente a noite, quando o desconforto para dormir aumentou (claro! os hormonios do parto adoram o escuro). Nao conseguia respirar bem. As contracoes Braxton Hicks estavam mais intensas… mas eu jah nao tinha esperanca nelas, jah que elas existiam desde a 23 semanas.
Na quarta-feira, 20 de junho, as contracoes Braxton Hicks e o aperto no lado do figado ficaram mais intensos e regulares, e foi so aih que percebi que estava tendo contracoes e estava em pre-parto. A barriga literalmente ficava torta para o lado direito, e sentia um aperto enorme. No mesmo dia perdi o tampao mucoso, e percebi que Gabriel jah nao mexia tanto, como se estivesse faltando espaco para ele dentro do meu ventre. Me deu um frio na barriga, e uma sensacao diferente. Sabia que a hora estava bem perto… Apesar de jah estar de licenca maternidade, trabalhava num projeto no computador, e assim continuei para me distrair. Ainda nao era hora de ir para o hospital… ainda nao era hora de ligar para a parteira. Estava sozinha em casa, e kamary estava no hospital trabalhando.
Na hora do almoco, Kamary ligou para mim, e disse: “sinto que tenho que ir para casa e ficar com vc”. Meus olhos marejaram, pois sentia que havia algo diferente, que estava perto, e estava preocupada com o nosso filhote que tinha diminuido bastante os movimentos (se bem que isso eh tipico de pre-parto, e eu sabia disso, mas parece que na hora a gente “emburrece”). Ele tinha sido chamado para fazer hora-extra na semana do nascimento do nosso filhote, e ele aceitou na condicao de que poderia faltar caso vc nascesse. Com esse sentimento que tomou o coracao dele, Kamary pediu para sair um pouco mais cedo na quarta-feira, e avisou que nao iria trabalhar na quinta e sexta-feira.
Qdo Kamary chegou no meio da tarde, comecamos a contar as contracoes. Elas vinham em intervalos irregulars, e sentia apenas um desconforto no pe da barriga, e uma falta de ar qdo elas vinham. Ligamos para a parteira, que nos recomendou descancar o maximo possivel, pois a hora estava por chegar, e tinhamos que ter forca para encarar o trabalho de parto. E naquela noite, fomos dormir com a certeza de que jah estava bem pertinho de conhecer nosso pequeno principe.
As 5:30 da manha na quinta-feira, 21 de junho, acordei com uma dor maior no pe da barriga. Fui a banheiro, fiz xixi, voltei para cama. Qdo deitei, a dor veio um pouco mais forte. Sentei, e qdo sentei, a bolsa estorou. Acordei Kamary, e disse: chegou a hora, fio! Comecei a chorar de felicidade e medo. Fui ao banheiro, e percebi que junto com o liquido amniotico, vinha um muco amarelo. Ligamos para a parteira, que devido a minha eterna preocupacao com o nosso filhote, nos aconselhou a encontra-la no consultorio dela para fazer um stress test no bebe e ve se estava tudo bem com ele. E fomos ao encontro dela, levando nossas malinhas para a maternidade, so por precaucao (sim, tinha optado pelo parto no hospital, mas o plano era partejar em casa o maximo possivel).
As 7 am chegamos no consultorio da nossa parteira, que logo nos avisou que o muco amarelo era na verdade meconio, e que teriamos que ir ao hospital para sermos induzidos, jah que nesse caso, nao se deve corer o risco de ter um parto prolongado (o que eh bem comum em maes de primeira viagem). Ainda no consultorio, o stress test mostrava uma pequena arritmia no coracao do nosso pequeno.Tremi nas bases!!! Coracao de mae nao se engana, nao eh? Nao so nao iria partejar mais em casa, mas agora estava sendo rondada pelo fantasma da cesariana. Susan nos explicou que isso poderia ser relacionado ao meconio, e que ela iria informar a equipe medica que iria nos acompanhar, jah que em casos de inducao os cuidados sao trasnferidos para uma equipe de obstetricia, e o nenen seria acompanhado por uma equipe neonatal assim que nascesse devido ao meconio. Entreguei tudo nas maos de Deus, e confiei 100% na minha parteira, mas nao posso negar o medo nessa hora.
As 8:00 am demos entrada no hospital. Coloquei aquela batinha de hospital, e uma especie de “fralda”. Ligaram o monitor para ver os batimentos do nosso anjinho, e gracas a Deus, aos poucos, a arritmia foi sumindo. Que alivio!!!! A equipe medica fez os exames de praxe em mim, e ficamos esperando para comecar a inducao. Nossa parteira principal, Susan, passou nossos cuidados para Heather, jah que ela estava de folga a partir das 8 da manha. Heather chegou as 8:30 am, e ficamos um pouco apreensivos por nao conhece-la muito bem. So tinhamos a visto uma vez durante o acompanhamento com as parteiras. Ficamos conversando, e esperando a inducao. Aos poucos fomos nos afeicoando a Heather, que parecia ser bem calma e serena.
As 11:00 comecou a inducao, com 2 cm de dilatacao e o cervix 40% apagado. As contracoes eram fraquinhas, uma especie de colica menstrual. Eu deitada na cama de um hospital, com a ocitocina na veia no lado esquerdo, um manguito do tensiomentro do lado direito, e um monte de fio no meu bucho monitorando as contracoes e o bebe, bem do jeito que eu nao tinha imaginado. Mas pior seria se fosse para a faca, nao era? Entao, para que reclamar?! A cada meia hora a enfermeira (um doce de pessoa), aumentava a dose de ocitocina. Fui ao banheiro umas vezes com diarreia (o que eh comum qdo se entra em trabalho de parto; mas uma obra sabia da mae natureza… limpeza natural do trato digestivo antes do parto). Por volta das 12:30 pm, uma vez que nada acontencia, Heather disse que iria em casa descancar e trabalhar num projeto, e pediu que ligassemos qdo as dores aumentassem, e ela chegaria em minutos. E ali ficamos, eu e kamary, no quarto de parto, cheio de aparelho ao nosso redor. Uma sensacao de alegria apreensiva com a jornada que estava prestes a comecar. Inicialmente ligamos a televisao. Mas depois de um tempo, ali deitada, a televisao comecou a me incomodar. Preferi o silencio. A luz tb me incomodava.
Por volta das 2:30 as dores comecaram a aumentar, e as contracoes vinham a cada 2 minutos. A respiracao estava mais profunda, e o barulho, conversa paralela, realmente me incomodava muito. Pedi a enferemeira para mudar de posicao, mas ela disse que nao poderia, so poderia virar de um lado para o outro. Tb pedi para comer alguma coisa, mas so poderia tomar suco (de hospital… eca!!!) e bolacha de agua e sal (thank you! Preferi continuar na agua), no caso de ter que fazer um cesarea de emergencia. Qdo a enfermeira fez o toque, estava apenas com 3 cm de dilatacao, mas estava em trabalho de parto ativo agora (aleluia!). Ela me sugeriu tomar morfina para diminuir a dor, mas preferi evitar, uma vez que nunca tinha tomado morfina antes e nao queria adicionar nenhuma outra complicacao em cima do meconio (bebes que nascem de maes que tomam morfina, nascem letargicos, o que jah era um risco para o nosso pequeno Gabriel devido ao meconio). Conversamos sobre a epidural, mas preferi continuar tentando ir adiante sem nada, uma vez que so estava com 3 cm e havia a possibilidade de desacelerar o trabalho de parto.
Ligamos para Heather, a parteira, jah que as dores estavam realmente intensas. Qdo ela chegou, senti como se meu anjo salvador tivesse chegado. A enfermeira que nos acompanhou foi um doce, mas era da parteira que eu precisava! Heather prontamente sugeriu que desligassemos o monitor por um tempo (fazia mais de 5 horas que eu estava sendo monitorada) para que eu pudesse partejar em outras posicoes (tente partejar deitada de barriga para cima!!!). Pedi para sentar na bola e me debrucar sobre a cama. Nao, essa posicao nao estava boa. Fiquei em pe, me abracando com kamary. Qdo as dores vinham, jah nao conseguia mais respirar entre elas… toda a tecnica de respiracao que tinha aprendido na aula prenatal foi para as cucuias! Me abracava com kamary, gritava um pouco, e Heather fazia uma massagem nos meus quadris. O barulho e a luz me incomodavam ao extremo nesse momento. De kamary eu so queria o abraco. Voz mesmo, eu so queria escutar a de Heather. Essa posicao deu um alivio grande, mas me sentia muito, mas muito fraca (isso que da qdo se passa o dia sem comer). Nao conseguia ficar em pe, entao voltei para a cama (droga!). Heather tratou logo de trazer um picolezinho para mim (uma santa!!!).
Desse momento em diante, so me lembro que as dores tomaram uma proporcao gigante. Eu realmente nao tinha mais posicao confortavel, nao estava conseguindo respirar, so gritar: ai, ai, ai. E lembro-me que morria de vergonha por gritar (sempre achei que nao seria dessas mulheres que gritam; mas eu gritei; gritei nao, uivei!!!). E a conversa da epidural voltou a tona. Nesse momento comecei a chorar. Me senti fracassada. Como poderia querer uma epidural com apenas 3 cm de dilatacao??!! Resolvi continuar tentando. A enfermeira sugeriu que fizessemos o toque, jah que as contracoes estavam bem proximas umas das outras, e bem mais intensas. Ela dizia: Juliana, seu trabalho de parto estah bem ativo agora; a epidural pode te dar um alivio que permitira vc ir bem ateh o fim.
E lah estava eu com 4 cm de dilatacao, e uma dor que me fazia tremer… E eu chorava. Heather olhou bem nos meus olhos e disse: “Juliana, eu jah era parteira qdo tive meus filhos. Tive que ser induzida no primeiro, e tomei a epidural. Nao se sinta fracassada, querida; poucas partejam sem anesthesia qdo induzidas. As contracoes sao muito intensas.” E eu chorava… e pedia desculpas por gritar… por estar sendo fraca. Ela mais um vez olhou nos meus olhos e disse: “vc precisa de minha permissao par air adiante com a anesthesia?” Me senti uma fracassada por nao ter forcas para parir meu filhote como todas as mulheres fazem por aih, mas as contracoes que a ocitocina causam sao mesmo estranhas. Contraem toda a musculature uterina de uma vez so, ao inves de em ondas, como acontece no parto natural.
E assim foi… as 4 pm, com 4 cm de dilatacao, e cervix somente 40% apagado pedi a tao bem vinda epidural. E enquanto esperavamos, Heather foi me relaxando, e me incentivando a gritar: “deixe essa energia sair do seu corpo, Juliana. Nao prenda ela dentro de vc”. Pronto, deixei aquela energia do trabalho de parto tomar conta de mim. Eu comecei a gritar, a uivar!!! Gritei mesmo (eita vergonha, meu Deus!!!)
Em 20 minutos a equipe de anestesia apareceu. Aparentemente, nesse momento eu jah nao gritava mais, eu uivava, literalmente uivava. Lembro-me que nao conseguia mais prestar atencao em nada. A dor era constante, incessante. Sem tregua mesmo. Eu comecei a pedir ajuda, e dizia que iria morrer. Era assim que me sentia, como se fosse morrer. Queria literalmente poder sair do meu corpo naquele momento, e voltar qdo tudo estivesse terminado. Kamary diz que minha pupila dilatava, tamanha era a dor.
A anestesista comecou a passer iodo nas minhas costas e pedia para que eu ficasse quieta por alguns instantes. Eu me contorcia… e pensava: “calma, eu vou conseguir, vou ficar bem quietinha, pois ainda tenho mais 6 cm a diante, nessa marchinha lenta.” Mas eu nao conseguia, e me contorcia, e uivava. Foi qdo a residente de obstetricia, que estava prestes a terminar o plantao, entrou na sala e disse: “nao seria melhor checa-la antes da anestesia. O comportamento dela mudou muito nos ultimos 30 minutos”. Heather concordou, ateh porque qdo eu sentei para receber a anestesia, um monte de muco e sangue saiu de dentro de mim, o que eh tipico de final de trabalho de parto, da fase de expulsao.
E qdo me checaram, lah estava eu nos meus 9 cm de dilatacao, com o cervix 100% apagado. Em cerca de 20 minutos sai de 4 para 9 cm, e finalmente entramos na fase de expulsao! Sugeriram um outro tipo de analgesia, que me permitiria ficar deitada, mas teria que ficar sem me mexer. Kamary resolveu nao aceitar, jah que as dores claramente nao me permitiam ficar parada.
Nessa hora lembro que a sala de parto estava cheia de gente. Heather me mandou focar na obstetra que iria conduzir o finalzinho do parto (ela tinha acabado de entrar na sala), e disse que ainda nao poderia fazer forca (nessa hora sentia um vontade enorme de fazer forca) que era para nao inchar o cervix. A equipe medica resolveu me colocar um pouco de lado para propiciar o finalzinho da dilatacao. E assim fiquei, do lado esquerdo e do lado direito, me concentrando para soprar, nao gritar e nao fazer forca.
Finalmente chegou a hora de fazer forca. Comecei a gritar de novo. Heather olhou para mim, e me mandou conter a forca dentro de mim nesse momento. Lembro-me que sentia como se estivesse muito constipada, precisando ir ao banheiro. Um sensacao indescritivel! Eh isso mesmo: parir eh como ter uma tremenda constipacao, e estar com as fezes presas por horas. Comecei a fazer forca e pensar: estah chegando ao fim… estah chegando ao fim… Nao queria olhar no espelho como havia planejado. Nao queria olhar para ninguem. So queria parir, queria acabar logo com aquela dor imensa que tomou conta do meu corpo. E no finalzinho a medica me mandava parar um pouco, para evitar rasgar muito o perineo. Sinto muito, qdo senti a cabeca de Gabriel vindo, e todo mundo gritando que ele estava perto, respirei fundo, e usei o restinho das minhas forcas para parir. Doeu muito, mas consegui!!!!
E meu meninao nasceu gritando, com toda a forca dos pulmoes dele. Naquele momento, voltei para meu corpo, como num passe de magica. Ouvir o choro do meu bebe foi magico, divino. Tinha a certeza que ele estava bem. Que noa tinha aspirado meconio. Que alivio! E comecei a agradecer a Deus por tudo aquilo. O sentimento que tive nesse momento foi o maior de todos que tive na minha vida. Foi realmente algo divino, de outro mundo, se assim podemos dizer. Tinha conseguido trazer meu filhote ao mundo do jeito que tinha imaginado, com alguns desvios, eh verdade. Vive tudo aquilo intensamente, agradecendo a Deus por ter conseguido. Eu pari!!!!
A equipe da UTI neonatal rapidamente avaliou o nosso pimpolho, e Heather, nossa parteira-anjo (sim, foi assim que senti ela, um anjo!) arrancou Gabriel das maos da equipe e o trouxe sem roupinha, ainda sujinho com cheirinho de parto, para cima de mim, dos meus seios. E eu susurrei no ouvido dele: bem vindo ao mundo, meu filho! Seus painhos estavam sonhando com o dia de te conhecer”. E ali ficamos, nos tres, lambendo nossa cria, enquanto esperavamos a placenta sair e o perineo ser suturado. Agradeco muito a Heather por lutar para que tivessemos esse momento. Hj em dia ha pesquisas que mostram que esse contato inicial da mae com o bebe, que ainda deve estar sujinho, eh essencial. Ele ativa os hormonios do “amor”, da amamentacao. E nosso pequeno comecou a fungar nos meus seios, feito um bichinho, ateh que achou o bico do peito, e ali mamou pela primeira vez por alguns minutos. Outro momento indescritivel! Eh impossivel nao lembrar de tudo isso, e nao ficar com os olhos marejados. Eh de fato divino! Eh amor puro! Eh vida! E continuei agradecendo a Deus por me proporcionar viver este lindo momento.
Vale ressaltar que nosso pequeno reconheceu a voz do pai assim que saiu da barriga. Qdo a equipe neonatal pegou ele, e os berros foram aumentando, o pequeno parou por alguns instantes qdo o pai falou: painho estah aqui, meu filho. Lindo demais, nao eh?
Nossa primeira noite ficamos juntinhos na pequena cama do hospital. E assim continuamos no dia seguinte, qdo chegamos em casa. Ficamos basicamente 2 dias deitados, juntos, com poucas roupas, sem perfume, sem cheiro forte, com pouca luz, so nos conhecendo (mais um conselho sem preco das nossas amadas parteiras). Ficamos, literalmente, lambendo nossa cria!
E no terceiro dia, com os seios meio feridos, meu leite chegou. Ver meu pequeno mamando, sugando com toda forca foi lindo demais. Agradeci muito a Deus mais uma vez. Tb devo agradecer as nossas parteiras, por cada conselho/dica que recebemos de como passer por aquela fase inicial de maneira menos sofrida. Tb agradeco a minha grande amiga, Fabiola Hammond, a quem tenho a maior admiracao pela mae-leoa que eh, e por todas as nossas conversas sobre amamentacao, parto, cuidado com os filhos. O maior agradecimento pelo sucesso na amamentacao vai ao meu marido, companheiro, cumplice, que ficou ali do meu lado, colocando gelo no bico do peito, me alimentando, segurando minha mao, fazendo massagem no seio, etc… que fez tudo que estava ao seu alcance para que eu conseguisse alimentar nosso filhote. Agradeco tb o olhar dele de contemplacao eterna aquele momento que aparemente eh so da mae e filho, mas que virou nosso momento em familia, a tres.
Sim, faria tudo de novo, apesar da inexplicavel dor que senti. Se tiver que ser induzida de novo, no entanto, quero analgesia o mais rapido possivel, pois a dor da inducao eh algo de outra esfera. No entanto, se puder partejar com o meu proprio corpo, encaro numa boa, e hj em dia, depois de passer por tudo que passamos juntos, teria ateh coragem de ter o nosso proximo filhote em casa.
Nao vou negar que nosso parto foi um pouco traumatizante, mas ao memso tempo magico, pois como numa passé de magica tudo foi acontecendo, e o que tinha tudo para se tornar bem “medicalizado” teve um desfecho bem natural, com uma forca que literalmente veio das minhas entranhas, e que nos fez recriar o amor que existia entre nos. O parto realmente me trouxe para dentro de mim mesma, e me fez ver a vida de uma maneira diferente, e o nosso amor se tornar mais intenso e incondicional! Portanto, hj em dia, so carrego boas lembrancas. Um felicidade sem tamanho, e um sentimento que se renova a cada troca de olhares entre mim, nosso pequeno e meu eterno amigo-marido-companheiro, Kamary.
Em suma, parir para mim foi uma dadiva divina, que recomendo a qqr um!